No beco de Gelson...no beco de Ariston, ou no de Sá Ana? aquelas pastagens eram as mais disputadas...
As ruas de chão batido, casas coladas umas tão perto das outras que até os cochichos, mais intimos se podia ouvir do outro lado das paredes.
Não havia luz o dia todo, e quando ela chegava a usávamos com plena moderação... quem tinha luz era milionário, por que comprara gerador próprio, e assim tinha água gelada, e regalias que bem poucos desfrutavam...
Todos os habitantes se conheciam, ou eram parentes... assim era melhor não falar mal de alguém, por que de repente você estaria falando com um primo, ou irmão....etc...
A cidade tinha uma curiosidade, as repartições públicas trabalhavam menos, mas o comércio também.
Todos dormiam após o almoço, ou faziam meninos, porque tudo era fechado do meio dia as três da tarde, e a cidade ficava deserta, eram bancos, prefeitura, escolas, comércio, etc...paravam para o horário pós prandial.
Diziam que era devido as altas temperaturas o que inviabilizava as atividades de labuta. E, mesmo no campo parava-se para dormir. E o forte sol, impedia que se andasse pelas ruas nos horários de pique, verdade ou mentira se cumpria a determinação, e íamos dormir.
Como hábito adquirido, é coisa muito séria, ainda hoje quando posso obedeço a determinação....rsss...
Mas, sobre os becos, por que atraíam pessoas, às escondidas de dia ou de noite?
Raciocine-se: só poderia ser coisa boa! E o que é bom para homens, nem sempre o é para as mulheres, pelo menos para a maioria... assim minha mãe dizia que naqueles becos tinha um "rend vouz"!! o que fazia um olhar para a cara do outro, doido de vontade de saber o que era essa palavra estrangeira.
A Nita dizia logo, que nunca era pra menina perguntar do que se tratava!
E, o que ela dizia também virava decreto!
Mas pelo andar da carruagem, se descobria, apesar de as palavras tentarem omitir... era lá que se concentravam os "puteiros"... rsss... entre olhos.
Eureka!
Pior do que tudo, o que era um puteiro mãe?
E após essas perguntas, preparava-se as pernas por que o cinto ia chegar com força! ao que a Nita tentava ser mais rápida e me salvar das correiadas.
Eu juro, que só perguntei por perguntar...
Ouvia dizer que minha avó, esposa de Laudelino, moça fina e bem criada de Goias dizia sempre: Eu não me importo, se ele frequenta essas casas, contanto que não falte nada em casa para os meninos... Pura sabedoria de época!!!
E assim meu avô, e muitos outros senhores sérios da localidade, entre eles meu padrinho, o farmacêutico mais antigo da cidade, os políticos, (ahhh esses não vale comentar - por que nunca prestaram mesmo), até os padres, andavam com certa frequência por aquelas ruas proibidas, para as moças de família!!!
E vez por outra se viam nascer os filhos dos becos, mas nenhum deles tinham o nome de Junior!!
Ainda bem que existem pessoas que amam as ruelas, e cuidam delas como cuidam da sua própria casa!!
Beijosss...


Adoro ruas floridas, com bastante gene do bem, abraços
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