A infância é sagrada. Tem cheiro de café com bolo de milho, e de pote de barro, e de banana madura... roubada do avô.
Lembrar da infância... é algo fantástico! Ela nos remete a cenas, sabores e cheiros incríveis.
Cheiros que parecem se perpetuaram dentro da gente. Quem esqueceu do cheiro de um bolo de avó? do café quentinho da mãe? daquele angu com galinha caipira da tia, do pão de queijo na casa de uma amiga querida...do chá milagreiro quando tínhamos febre! e, por ai vai... sem deixar de falar das deliciosas férias no interior.
Onde se nadava no rio, e roubávamos espigas de milho nas fazendas alheias. Levávamos corrida de bois, e dos cães dos donos. Mordidas de animais, e tombos também não eram coisas raras... até tiros de escopetas, eu e meus irmãos e primos levamos...
Falando assim até parece que aquela menininha magrela de cabelo longo trançado era muito levada... e era!!! rsss...mas tudo era parte da infância na roça. Aonde éramos imensamente felizes, e nem éramos ricos.
Mas para criança, a riqueza tem cheiros e travessuras, muito mais do que bicicletas, ou carro de família para ir à missa ou a uma praia ao longe.
A felicidade era brincar de roda, rodar pião, soltar pipa, comer milho quente tirado do fogão à lenha, dormir com mais 8,10 crianças no mesmo quarto, ter bicho de pé, e comer fruta madura tirada do galho mais alto. Isso era ser rico.
Ver os navios saindo do cais e apitando, tendo inúmeras mulheres se despedindo de seus filhos e maridos, noivos, amantes etc...chorosas, para mais tarde irem dançar na venda de Teo com o outro!!Epa... isso fica in off.
Seguir o avô, com seu tradicional terno de linho bem engomado , dobrar o beco das "muies" damas pra fazer amor às escondidas.
Roubar as bananas que ele guardava no armarinho da cabeceira, e achar uns tostões nos bolsos do paletó, pra ir correndo gastar comprando balas e doces, e distribuindo para os amigos...
E o que falar das nossas casas? ou melhor repetindo da casa dos avós, onde o menos era sempre mais...
Saber bem que: Onde come um, comem dois.... que em casa de ferreiro, o espeto é de pau, e que filtro de barro pode enferrujar... que missa se espera dentro da igreja, e que o filho da puta, tira a mãe da culpa!
Aonde fui criada, até os oito anos de idade era desse jeito... não tinha essa que lugar de menina é costurando junto da mãe. Menina podia ir aonde quisesse, desde que chegasse em casa antes de escurecer... que menino não podia chorar, mas se fosse necessário: Chora! que Deus, pai e mestres vinham em primeiro lugar, e ainda, era necessário tomar benção, nos horários certos, e lavar as mãos antes das refeições.
Não sofríamos bulling como hoje, por que a gente revidava: se bateu. bate também... e primeiro sempre eram os mais velhos... que ao chegar em casa dos outros, não se pede nada, e bons modos nunca era demais.
Quero só dizer com isso que a educação era encarada como um princípio secular... e o caráter de alguém era medido com compasso, a família era o maior patrimônio que alguém poderia ter...e, que o padre era um homem de Deus, de onde nada podia ser omitido... que os padrinhos eram como segundos pais, e nada ficava escondido dos olhos de Deus!
Era assim a infância quando tudo era normal.... quando a tecnologia não nos dominava... quando se podia brincar na porta de casa, com os mais velhos tomando conta, ainda que não fossem nada da gente.
Creio não estar mentindo quando digo, que felicidade tinha essas cores...cores de mesclas de barro (das panelas) com doce de leite. De cocada com suco de groselha, de torresmo com tapioca, e milho assado com manteiga de garrafa e mel. Cheiro de erva cidreira, de Colonia Lancaster, e de água de barbear Bozzano com Leite de rosas.
A infância de hoje, desconhece o que os avós viveram...poucos tiraram leite de vaca, ou de cabra... sequer viram!!! alguns nunca ouviram falar de vapor, ou beberam água de fonte pra conservar s serem jovens por muitos anos...
A tecnologia dominou nossas vidas, facilitando justo dizer, porém deixando coisas longincuas de nós.
Somos da roça sim... mas não podemos sequer pensar nela por que o What sapp nunca deixa!!!!
Veja essas imagens e me diz se estou falando idiotices... Beijosss...
1- Tinha água mais deliciosa, do que a dos filtros de barro?
2- E que delícia era tirar os temperos do pomar, nem que o pomar fosse bem em cima das janelas, ou mesmo das mesas.
3- A higiene era ímpar, e demonstrava que na casa havia uma mulher zelosa.
4- A casa podia ser bem simples, mas ninguém saía de lá de barriga vazia.
5- As sobras de tecido eram disputadas como joias.
6- As sobras de madeiras viravam móveis disputados, e meu avô era exímio artista dos entalhes, e móveis que saíam para as casa dos ricos.







Que história deliciosa, lembra a minha infância que apesar de não ter avós ou parentes, exceção ao meu tio, mas que morava distante. Não tínhamos vizinhos próximos, a não ser o padre que vinha nos visitar mas eu me escondia por ter medo, mas mais tarde acabei sendo coroinha da paróquia dele. Meus pais trabalhavam com plantação de leguminosas e quando as melancias estavam no ponto, meu pai colocava num balde e colocava no poço para gelar. Não tinha amigos só a minha irmã, amigos só fui ter quando mudamos para a cidade para começar a estudar e os amigos da escola. Existia muita gozação (que hoje se chama bullyng) por ser oriental, isto durou até terminar o antigo ginásio. Foi uma época da vida muito divertida. Continuamos com agricultura acrescida de granja até eu terminar o primário (quarta série)...tem muitas histórias inesquecíveis que valeram a pena e que ajudaram a construir a pessoa que sou hoje.
ResponderExcluirBeijossss.
Obgda pelo comentário....passe a escrevê-las....rememora a imaginação!!!
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