Menina não é igual menino....mas na hora de pescar pode ser.


     Mas Nita, vai ser uma pescaria, no rio, todo mundo vai, eu quero ir também! a menina não queria ficar de fora, por que pra quem é pequeno, tudo é festa.

     A pescaria no rio São Francisco, era um evento imperdível! meu tio que era um excelente pescador, já havia preparado as iscas e seu balaio, com tudo o que precisaríamos para passar um dia, ele sabia, que não iria apenas quem convidara, pois apesar de naquela época não existir celulares, as notícias corriam rápido, falavam que notícia ruim, chega rápido, mas percebia que as boas também.

    Assim, haviam: batatas cozidas, mandioca, bolo fuba, umbus, bananas, biscoitos de peta, e cachacinha que era pra ele molhar a garganta, mas para as crianças tinha refresco de tamarindo.

    A igreja de Santo Antonio era o cartão postal da cidade e ficava virada para o rio, na opinião dos antigos era para se ver logo quem estava chegando na cidade. Paratinga foi uma cidade movimentada, e os navios ou vapor circulavam com certa frequência pela cidade, o movimento do cais, trazia renda para os cofres e comerciantes, e os caixeiros viajantes, faziam a festa das mulheres, por que traziam um pouco de tudo, desde sapatos a cortes de tecido, roupas para crianças, linhas e apetrechos de costura, entre outras coisas.


                                         
 

   A cidade era limpa, casas coloridas, ruas de terra, e próxima ao cais pedras largas do tempo dos escravos. Imprimiam uma personalidade peculiar, para uma pequena cidade de interior, tinha terras que serviam para plantio, assim a atividade agrícola, era a principal fonte de renda.

   A agricultura de subsistência era a primeira forma de garantir o abastecimento das casas... assim segundo meu avô - o lema era: nuzinho, mas gordinho... em sua casa como carpinteiro, havia dificuldade em sobrar dinheiro, mas nunca faltou comida na mesa, e despensa cheia.

   Ao lado do fogão de lenha havia um espaço, em que se via: carnes salgadas, por que não tínha-se geladeira....mandioca, pencas de banas, melancias, latas de manteiga e de banha, linguiça, ovos de galinha  de patas...além de materiais de pesca, pois os homens adoravam, e os peixes vinham das pescarias mesmo.

   Assim aquele dia, era o escolhido para a atividade, havia chovido, e o leito do rio estava alto, propiciando a pesca.

   Após alguns minutos de conversa, e muitas promessas, convenci a Nita, de que era importante que ela me deixasse ir junto com meu tio, que era um ótimo mestre, e tomava conta de mim, com unhas e dentes... sabíamos dos perigos da ilha, entre eles as onças, e cobras, mas todos prometiam ficar de olhos bem abertos, e levávamos um rifle, não para matar , mas apenas espantar os animais que se atrevessem a vir atacar-nos.

   Eram em torno de cinco meninos, meu tio e eu, até por que não cabia mais ninguém no barco, alem do que nossa comida e os cestos para trazer frutas, peixes... e tudo o que se pudesse trazer.

   Não se levava dinheiro, por que nas terras do outro lado, em se plantando tudo dá, e meu tio tinha seu cunhão de terra fértil, e ele e seus amigos cultivam com cuidado e carinho... esse era o seu labor, e sua alegria também, dizia que se não pudesse mais plantar, que não iria mas querer viver!, pois não ia ter graça, não cultivar seu próprio alimento....o que não se tinha plantado se trocava, e ainda tinha que sobrar pra poder ir pra feira vender.

   Nesse dia, a pesca estava farta! Meu tio dizia que era por que tinha rezado a noite pedindo fartura de peixes, pelo que sim, pelo que não dava certo. As rezas são pedidos que fazemos aos santos, primeiro a Deus, para que nos ajudem a realizar as coisas que nos parecem dificeis, e sempre dão certo, basta acreditarmos....porque andar com fé se vai longe.

    Ao final do dia, se voltava pra casa, com o sentimento de missão cumprida! e garantia de comida por vários dias...

 
                                     
 

 

Referências:

1-http://brasilescola.uol.com.br/brasil/rio-sao-francisco.htm

2-http://www.infoescola.com/hidrografia/rio-sao-francisco/

Comentários

  1. Pescaria, adoro, lembro da minha infância que meu pai levava para pescar na casa de um conhecido da cooperativa na cidade de Alexandra no litoral do paraná, pescava peixes e siris as vezes vinha alguma coisa que não dava para identificar. Pescaria feita em canoas feitas de um único tronco, muita diversão e aprendizado. Tinha plantação de melancia, jabuticaba, goiaba, banana, e colmeias de abelha africanizada. Uma época inesquecível, sem nenhuma tecnologia, saudades deste tempo.
    Beijossss.

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