Colcha de retalhos, café quente e vinho numa cabana....entre outras... são coisas que não se deve deixar para depois...


                   

Existem coisas que são como pertencentes por toda a vida, ainda que não mais existam, por terem feito parte de nossa infância, jamais se apagarão das lembranças....sempre sobreviverão! vivíamos numa casa bem grande, e cheia de árvores, pássaros soltos, por que felizmente ninguém na minha família gostava de aprisionar animais.....eles viviam soltos e felizes. 

Eram araras, sabiás, bem te vis, tico-tico, tatus, até uma jaguatirica bebê vivia por ali, foi resgatada junto com sua mãe já morrendo, e para ser não ser pega por caçadores meu tio conseguiu pegá-la, por dentro de uma balaio, e rumar de barco para casa...assim ela foi criada até uma idade que saberia se cuidar na mata, mas devo lembrar que não queríamos devolvê-la nem de brincadeira.

Só que desde cedo, aliás precocemente, tive que lidar com grandes perdas, e confesso, não sei o porque! Aprendi que o desapego é um constante exercício de vida.... a infância é uma idade, em que queremos tudo só pra gente...os amigos, os animais, os pais, irmãos , avós e etc... todas as pessoas que gostamos, queremos eternizá-las. Mas descobrimos mais tarde, que eles (essas pessoas) vem e vão...

Voltando àquela casa, muito bem cuidada, enorme, cheia de janelas, e portas grandes, salas que parecia usada para saraus... que além disso tínhamos por perto a escudeira, Joanita que passava querosene com vela derretida, não sei como não explodia essa mistura, mas que dava brilho , isso era indiscutível, chega que podíamos nos olhar como se fosse espelho no chão, a nos refletir.

O que mais me agradava ali eram os quartos. Tinham sempre camas espaçosas, baús de madeira aos pés da cama... o que era usado muitas vezes para o pique de esconde-esconde. além de esconder muitos mistérios...Ali dentro haviam inúmeras surpresas...



A meninada ficava divagando, a respeito do que existiria dentro dele, e de onde ele viera. Meu irmão dizia que pertencera a um navio, e que fora resgatado a margem do rio, viera de longe, no encontro entre rio e mar optara pelo rio....e assim passávamos horas escutando aquelas histórias de piratas, e suas conquistas. Eu achava que teria pérolas, e outras jóias, mas que alguém teria encontrado antes de nós, e ficara com tudo o que havia dentro... as histórias iam noite a dentro, quando minha mãe achava que era hora de terminara com essa baboseira, e por todo mundo pra deitar ... com o chinelo na mão.

Verdades ou mentiras, as histórias aguçavam nossa imaginação, e o gosto pela leitura, sendo Malba Tan, o favorito entre outros... Monteiro Lobato também era muito apreciado.


A Nita, era assim que a chamávamos, era uma exímia moça...tinha uma delicadeza de rainha... nunca se exaltava, e quando percebia que o ambiente estava tenso, era a primeira a cuidar para que tudo voltasse ao normal... além do mais fazia uma café que atraía quem passasse pela rua, e quem estivesse brincando parava tudo para vir se deliciar com os biscoitos de nata, ou pães de queijo deliciosos...




O detalhe era que, a mesma quem moia o café...apesar de ser pequena, tinha uma habilidade em fazer as coisas, que quando perguntava como havia feito ela respondia: com jeitinho Licinha, com jeitinho se consegue tudo!


E, agora sei que é realmente desse jeito de fato, que tudo se desenvolve... às vezes temos vontade de nos rebelarmos, e resolver tudo no grito, mas com o tempo percebemos que isso apenas serve para nos afastarmos do que queremos. E na fase mais madura, só nos resta compreender que o melhor é sermos como ela... assim fui me moldando, diante das circunstâncias, aprendendo a tirar o melhor de onde não vemos... e extrair de cada experiência o fruto do que nos apraz.

A cada dia, a cada situação algo de útil nos fará melhor. 
Mais conscientes do que precisamos, e mais lúcidos, no agir.

E quanto ao vinho? Ahh esse é bom de qualquer maneira!!! suave, tinto será sempre bem vindo!o, verde, de uvas rosadas, de garrafão, no almoço, ou no jantar, sempre bem chegado, uma ótima companhia.

Beijosss







Comentários

  1. Que delícia de vida, ótimas lembranças que jamais vão se perder, adoro suas histórias!!!
    Beijosssss.

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    Respostas
    1. Todas as formas de homenagear nossos dias da infância nos trazem alegrias...e não creio serem ruim essas lembranças, elas tem cheiro de capim!!!rsss...
      Obgda por ler minhas histórias esteja à vontade meu amigo.

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